Sting – uma chatografia

Inevitável deixar de citar minha namorada ao lembrar Sting. Passávamos pelo livro recentemente escrito por ele numa livraria e, ao tateá-lo, Desirée de longe destacou: “pois é, agora ele escreve livro pra disfarçar a falta de inspiração musical”.

Ainda que seja um fã confesso do Police, tenho que concordar. A chatice do sr. Gordon Summers é unanimidade, nada mais do que comprovada pela biografia escrita por Wensley Clarke: Sting, uma biografia.

Um distinto inglês, nascido em berço de ouro, rodeado de cultura, certo dia se encontra com Paicã e decide salvar a Amazônia. Ah, e a música, até hoje Sting se debruça sobre o sucesso do The Police, ou melhor, sobre o tripé : Message in a bottle, Every breath you take e Roxanne.

Beijar o céu – Ode a Thom Yorke


Da providencial série de livrinhos sobre crítica musical lançada pela IÊ, IÊ, IÊ, sem dúvida o “Beijar o céu” de ex-crítico da Melody Maker Simon Reynolds é o mais palatável, além de ter a melhor capa (Thom Yorke em ação).

Sem a masturbação mental de Lester Bangs e o tique acadêmico de Greil Marcus, Simon Reynolds nos traz crônicas do pop rock contemporâneo: uma decantada conversa com Morrissey – a impressão que fica é a de que se trata do maior chato de galocha que calhou de fundar a melhor banda do mundo -; a rivalidade entre Eddie Vedder e Kurt Cobain – dois opostos que se necessitam – , o obrigatório culto aos Pistols e ao Clash – presente em todos os livros da série -, e, finalmente, um dos mais reveladores ensaios sobre o Radiohead, quiçá, sobre a mente que controla o que se costumou taxar “alternativo” algum dia, a de Thom Yorke.

Em conversa inesperadamente humorada, Yorke rememora as críticas de “Kid A” recebidas dentro do meio artístico: para Noel Gallagher, por exemplo, tratava-se o lançamento do álbum de uma “covardia”. Para Nick Hornby, um disco muito difícil para quem está cansado de cuidar dos filhos e trabalhar. Para o próprio Yorke, uma coleção de canções que pincelam as feridas que ninguém gostaria de evidenciar.

Look at the stars

LOOK AT THE STARS – GARY SPIVACK


Aproveitando a (bem) vinda do Coldplay a São Paulo, gostaria de destacar esse delicioso trabalho de Gary Spivack, também o tour manager da banda durante a turnê norte-americana de Parachutes.

Spivack relata, dos bastidores, o Coldplay adolescente rumo ao reconhecimento mundial por “yellow” e “in my place”. Destaca a personalidade carismática do líder Chris Martin, abordando a sua sensibilidade ao dar voz aos outros membros do grupo, ao rir da fama que não impede que os seus cabelos caiam, e, principalmente, agradecer a Deus e o mundo, a todo momento, por cada minuto gasto com o Coldplay.

Na mais tocante passagem, Spivack relata o dia em que foi demitido do cargo em função do crescimento natural da “marca” Coldplay. Sem rumo e bêbado, ele disca o número da casa de Martin, sem a mínima esperança de que o encontraria acordado, ou, menos ainda, em casa àquela hora da madrugada.

Mas, para sua surpresa, ele reconhece a voz de Martin do outro lado da linha, que pergunta quem é: “Gary, is that you?”. Lapso. Gary descoberto pelo líder do Coldplay. Sem graça, ele enfim responde : “Hi, Chris, did I awake you?”. No que Martin simplesmente diz que estava com insônia, assistindo a alguns filmes. Logo, ele pede desculpa a Gary pela demissão. Martin espera que eles ainda voltem a trabalhar juntos algum dia, mais uma vez agradecendo a Gary pelo que ele fez pela banda. “Maybe it’s written on the stars”. Gary desliga o telefone, certo de que teve o privilégio de conviver com uma pessoa muito maior do que o dono das letras de “Yellow”.

Os Gallagher x os Albarn


Bom, e além de falar de Cd’s, irei criar uma espécie de assembléia da música nesse espaço para que possamos discutir uma vasta e selecionada bibliografia e filmografia relacionada ao assunto. Dessa forma, apresento-me como colecionador obcecado por livros sobre rock, bandas e artistas em geral. Em minha cabeceira, “Getting High – the adventures of Oasis” de Paolo Hewwit. Simplesmente a melhor biografia dos irmãos Gallagher, contendo o background desde o nascimento dos irmãos em Dublin, até os dias de Morning Glory da banda. Um excelente compêndio sobre a Manchester pós- Smiths e Stone Roses e a loucura do Brit Pop dos anos 90. Para acompanhar, o documentário “Live Forever”, baixável no E-mule, sobre a rivalidade entre Blur e Oasis, permeada por Pulp e até Portishead. Destaque para as entrelinhas: parece que a luta entre as duas bandas na época do lançamento dos singles “Country House” do Blur e “Roll With it” do Oasis – para ver qual deles atingiria o primeiro lugar nas vendagens – foi motivada por um flerte entre Liam Gallagher e a mulher de Damon Albarn, na época, a vocalista do Elastica, Justine Frischmann.

Mais Gossip sobre os Gallagher e o Brit Pop em posts futuros.

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