Cd ou não Cd, eis a questão


Nero burning room, e-mule, cd-r, limewire…não interessa a ferramenta, mídia ou software. Até hoje gasto especialmente vinte por cento de minha renda mensal com esses viciantes Cd’s tradicionais não piratas, ou seja, com encarte, capa e tudo.

Finado é o tempo em que uma mídia prateada (igual a essa aí de cima) era artigo de luxo em qualquer gorda coleção de vinis que prestasse…possuir um, uma emoção, em função do elevado preço nas Gramophones da vida. Carrefour e Americanas sempre foram uma solução, mas mesmo assim abocanhavam os bolsos adolescentes, cheias de som e fúria.

O jeito era apelar para os cassetes…e dá-lhe inovações paliativas: das basf das papelarias aos cassetes chromo, outros com reprodução equivalente aos cd’s ( e ganhava uma fita de graça quem descobrisse a diferença.

Os puristas das bolachas protestaram, e, ainda, até hoje não se convencem da massaroca tecnológica sufocando a alta fidelidade do som. Coitados, seus Lp’s, quando não empoeirados em sebos da esquinas, hoje viraram iguarias de custoso consumo em lojas especializadas.

Mas, de certa forma, eu me solidarizo com os colecionadores de discos e vitrolas, posto a antipatia que nunca deixo de nutrir por essas mídias de oitenta minutos que engolem centenas de MP3’s e assassinam a mágica do cd prensado e encartado.

Pois, para mim, cd álbum é um personagem de determinada época da minha vida. Um amigo que você leva para o passeio dentro do player nas caminhadas fatídicas…”opa, como é que você está meu amigo “Dinosaur Jr – Where you been”, como vão as suas faixas que tanto reproduziram minha angústia juvenil? Ou, olá “Bruce Springsteen – tracks”, você se lembra da ousadia em comprar você, uma caixa com 4 cd’s desconhecidos de lado-b mas que instantaneamente mudaram meu modo de encarar o mundo?

Puxa, é hora de lascar o “Ryan Adams – Cold Roses” no aparelho e apenas dançar a noite toda. Esse papo nostálgico eu deixo para outro dia, a bordo do “Smashing Pumpkins – Mellon Colie e Infinite Sadness”…

A volta dos que nunca foram…ou,

A lenda se consumou esse domingo. O The Police realmente compareceu à premiação do Grammy para uma palhinha de “Roxanne” em comemoração aos seus 30 anos (contados a partir do lançamento da música). Pois é, de acordo com os cabelos de Copeland, as rugas de Andy e a flacidez muscular de Sting, o tempo urge….
Agora, sobre a validade de uma turnê mundial, deixa eu contar uma coisa: Sr. Sting, que sempre chamou para si a responsabilidade pelo desmonte do grupo, relegando seus dois comparsas ao msv, movimento-dos-sem-vocalistas, vem agora com essa história…

Novo vídeo hilário de uma banda nada hilária: Acquiesce


“Acquiesce”, b-side de “Some might say” e reconhecidamente a melhor faixa non-album do Oasis encabeça a coletânea caça-níqueis “Stop the clocks”. Até aí, nada de novo, uma canção revezada entre Noel e Liam, imbatível… Só agora ela ganha um vídeo próprio, porém, interpretado por uma banda cover JAPONESA ! A cópia perfeita das jaquetas de Liam, a arrogância de Noel, os trejeitos Lianianos no palco…tudo interpretado por japoneses do OASIA idênticos aos originais.

The Police está de volta…e com Sting

O que mais resta a um escritor frustrado e um erudito compositor de primeira viagem a não ser retornar às raízes da fama, ao que interessa, no caso, o The Police? Mas essa reunião, sei não, cheira a dobradinha com os Mutantes…

Na cama com Zeca Camargo ou Um Bono para chamar de seu

Sim, o título me surpreendeu. Duas das minhas bandas preferidas da infância entitulam o último livro do jornalista Zeca Camargo: “De A-ha a U2″. O livro, a capa rosa, dá a idéia de um diário, pois é o que é: o diário de anos de jornalismo televisivo musical de Zeca Camargo.

Não deixa de ser uma boa distração conferir os bastidores das reportagens internacionais com artistas como Coldplay, o próprio A-ha, Noel Gallagher, Nirvana e até Bon Jovi. O eufemismo do autor tampouco atrapalha a diversão. Mas o que fica, depois da leitura, é a impressão de que bateu um papo pra lá de afetado com esse ícone do jornalismo geração MTV.

Se para algumas bandas ele reserva não mais do que efêmeras observações, para Bono, do U2, páginas e páginas, e confissões babacas como o desejo de Camargo de um dia ser convidado a casa de campo do irlandês. A ênfase nos “olhos azuis” de Kurt Cobain, observações sobre a falta de paciência de Damon Albarn, a idolatria por Madonna, a incapacidade de Noel Gallagher para o olho no olho e, para finalizar, o chilique de Mrs. Spears antes de uma entrevista.

Não vai me dizer que ficou interessado…

Children, WAKE UP!

Está aí a capa da nova empreitada de uma das melhores bandas da safra pós -2000, o Arcade Fire. Depois do maravilhoso e viciante “Funeral”, vem “Neon Bible”. A edição especial acompanha um livreto de 32 páginas. A versão normal vem com as faixas:
1. Black Mirror 2. Keep The Car Running 3. Neon Bible 4. Intervention 5. Black Wave/Bad Vibrations 6. Ocean Of Noise 7. Well & The Lighthouse, The 8. Antichrist Television Blues 9. Windowsill 10. No Cars Go 11. My Boby Is A Cage
Detalhe: “No cars go” também está presente no primeiro EP da banda, que não sai por menos de 40 pilas no site da CDPOINT.COM.BR. Para os emulos, vale a pena a versão de “Wake up” com David Bowie.
Até a próxima.

I’d rather dance with Kings of Convenience


“I’d rather dance than talk with you”, a faixa que destoa do estilo simongarfunkeliano do Kings of Convenience tem um dos mais bem humorados videos que já vi. Imagine dois desengonçadamente gélidos noruegueses tentando soltar os quadris dentro de uma aula de balé.

E por falar nessa dupla altamente recomendável que já esteve por essas plagas, discoteca básica é o último álbum deles, “Riot on empty street”. Para ouvidos fatigados.

Jeff Tweedy e a platéia irritante

Uma das tantas melhores cenas do dvd “Jeff Tweedy – Sunken Treasure Live” é quando ele interrompe a execução de uma música e pergunta à platéia o que ele precisa fazer para que eles calem a boca. Segue-se um longo discurso em que Tweedy fala sobre a burrice em se pagar um ingresso para conversar. O vocalista do Wilco então convida a todos para alguns segundos de silêncio e, quando finalmente consegue… “see? I could go all night like this”…
Nem precisa mencionar que “Thanks I get”, a canção que ele engatilha em seguida, encaixa como luva ao momento num dos melhores dvd’s desde “I am trying to break your heart”, a ser revisado neste mesmo espaço.

Os amigos de Damon Albarn


Entenda-se como vocalista do Blur. Ou dos Gorillaz. Ou do The Good the Bad and the Queen. Ou simplesmente Damon Albarn e seus amigos. No Blur, pegou uma curva logo a frente e se distanciou do college rock que tanto importunava os irmãos Gallagher. Tornou-se cult. Techno-pop with a crazy beat.

E quando achávamos que a distância a percorrer estava completa, eis aí Damon Albarn aliado a membros de Verve e Clash. Mais uma empreitada digna de aplausos, tais como aqueles que ele próprio recebeu no palco do Gorillaz ao dar as caras depois da metade do show do Opera House.

Há quem prefira a dissidência bluriana encabeçada por Graham Coxon. Aquele tímido, a guitarra com trejeitos de Johnny Marr, que agora lança um dvd ao vivo. Não sei, apenas tenho idéia de que de uma coisa Coxon pode se gabar: ser um dos notáveis amigos de Albarn.

A conferir: Blur live at the Bataclan. Baixável, repertório impedível.

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