I love you, you pay my rent

Não vou negar que a princípio me recusei a assistir ao novo show desse duo eletrônico que, em minha roqueira concepção, permanecia no asilo pós anos 80.
Tentei imaginar o que Tennant faria para sobreviver num mercado – criado por ele próprio – repleto de mixes, remixes e Mobys.
Mas, para o espanto dos milhares que compareceram ao Chevrolet Hall de Belo Horizonte, em pleno domingo, não é que os velhinhos mostraram o vigor de quem começou toda a cena, intercalando novas e engajadas canções com hits eternos das pistas de todos nós?
A produção impecável até mesmo para um espaço como o Chevrolet Hall: vídeos, figurino e bailarinos. Um vocalista performático, arriscando um violão (bem tocado) em “Home and Dry”. Êxtase geral em “West and Girls”, “Domino Dancing” e, em minha opinião, aquela que é a melhor música deles: “Rent”, impecável.
Resultado: alguns litros de suor, o preconceito a escanteio e diversão genuína a guardar por meses e anos.

Se Deus criou a mulher, artistas de áreas afins criaram obras que a eternizaram no que ela tem de mais sublime: a beleza.

Pablo Picasso viria a imortalizar todas as suas mulheres e ex-mulheres, cada pintura representando um período de relevo dentro da arte moderna. E enquanto o espanhol punha na ponta do pincel aquilo que, para ele, era a essência de cada uma de suas mulheres, o Beatle John Lennon dedicava toda sua obra a uma só, Yoko Ono, para quem escreveria canções como “Woman” e “Jealous Guy” entre tantas outras.

Mas do ciúme monogâmico de Lennon, a dupla carioca Tom e Vinícius nunca compartilhou. Das muitas composições inspiradas na sensualidade feminina, uma iria marcar para sempre o romantismo dos poetas: “a garota de ipanema”, representada em carne e gracejo por Helô Pinheiro, o semblante muito parecido com o de uma francesa de lábios carnudos que era apenas uma adolescente quando interpretou a lolita de “E deus criou a mulher”, filme dirigido pelo então seu marido Roger Vadim. Brigite Bardot influenciaria toda uma geração com suas curvas, roupas, e o jeito provocativo…

E as musas, como Bardot, sempre tiveram lugar cativo na idealização dos escritores. Se Dante desceu ao inferno em busca da luz incandescente de sua Beatriz, Cervantes incorporou o sonho de Quixote e fez de Dulcinéia a rainha inatingível de todos nós.

Mulheres, divas, musas e deusas. São elas que até hoje encantam a humanidade, transitando graciosas entre as artes, entres os tempos. Fragmentos de uma paixão que não cessa de nos instigar.

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