Mais um do Neil – 31 de março
Como se não bastassem os cd-dvd’s caríssimos da série “arquivos”, Neil ainda arruma mais confusão para nossos bolsos fatigados com mais um álbum de estúdio.
Esse vai compor até em seu leito de morte: talvez lance um álbum intitulado: “from the other side”. Eu desisti há algum tempo de seguir disco por disco essa carreira brilhante. Não gostei do Chrome Dreams.
Eu queria ser Ben Lee
Olhei para os lados, talvez algum besta houvesse deixado a cópia ali, de bobeira, pra ver se alguém a descobriria. Se os cd´s do Ben Lee já são complicados de achar, quanto mais os da sua primeira banda amadora. Paguei o petardo e, correndo, fui embora. (Nessas ocasiões em que raridades estão envolvidas, é melhor nunca vacilar.) Parei num restaurante a fim de verificar se aquela cópia estava em perfeito estado. Estava. Nenhum arranhão aparente. Iria, então, ter o prazer de ouvir o pequeno Lee em “I wish I was him”: “I wish I was him, he gets the women at his feet, with all his cool friends, he gets his records for free, I wish I was him”.
Cheguei em casa, pus o cd para tocar, último volume. Ben Lee, voz infantilesca, começou. E foi aquela surpresa. Violão mal tocado, acordes amarrados a prego, som terrível. Amadorismo puro do Noise Addict, que deve ter gravado esse “Young e Jaded” (nome sugestivo, com certeza) dentro de casa, em dia de domingo em família. De toda forma, a base das músicas eram satisfatórias. Letras e harmonias bem boladas, à espera só dum produtor de peso.
Repeti as faixas, reescutei. Na verdade, achei parecido com o que eu fazia há uns dez anos.
Inventava canções de poucos acordes, rabiscava letras em inglês, com refrões e aquela coisa toda. Aí, quando ficavam prontas, pegava um gravador de voz e mandava ver. Só eu e o violão, formato que me sempre apaixonou. Cheguei a gravar, em estúdio, coisas que escrevi como “Downtown”, “Smile” e “Underground”. Depois divulgava para as meninas. Divulguei tanto que acabei dando todas as fitas. Acabei me transformando em raridade de mim mesmo.
Deixei na prateleira a caixa do cd, que ostenta dois caras maléficos, abraçados, na capa tosca. Olha, não sei, mas deu vontade de escutar mais uma vez aquele negócio sofrível. Pensar em como o meu mundo poderia ter sido, se eu largasse tudo de sério e persistisse em evoluir como Ben Lee. Ora, tive até uma banda, e lembro-me, com orgulho, de que chegamos a dar uma roupagem digna para “Smile”, com bateria, baixo e guitarra. Inseri uma fita de recordações no videocassete. A etiqueta acusava: “Marcos with his astonishing guitar”.
Apertei o play e lá estava eu, de novo, adolescente, cabelos a gel, magrelo, fazendo os solos de “Boys Don´t Cry”, naquela concentração toda. Provavelmente, estaria pensando em como a minha vida seria cheia de som e fúria. Fiquei olhando para mim mesmo por segundos, imaginando se conseguiria repetir aqueles solos rápidos hoje em dia. A guitarra empoeirada no guarda-roupa, o amplificador que deixei com o baterista da banda. Os pôsters de Kurt Cobain e as calças jeans, ambos rasgados.
Desliguei o vídeo. Crescer, às vezes, dá uma pena.
Primeiro encontro com Evan Dando, ou Pelican Mouse
Here comes our man
Primeiros comentários sobre "No line on the Horizon"
O U2 continua comercial, pretensamente artístico.
Bono continua politicamente correto e chato.
As letras continuam boas.
E o U2 continua vencendo por W.O.
Ryan Adams
Ryan, meu chapa, é fácil viver apegado no sofrimento, deflorando-se de padecimento e ilusões natimortas “there’s this girl I can’t get outta of my head”, não foi você mesmo quem disse? Então tudo é igual à corda de só um caminho – para baixo – que escorrega, escorrega, só escorrega e ninguém para te dar a mão e come to pick you up.
Agora, com o sorriso estampado, é difícil que as felpas dessa corda me venham novamente esfolar as palmas das mãos. Num acorde, o sol maior, entôo “Harder now that’s over” e vou-me embora, viver, sim, porque viver é o melhor e único pesadelo possível.
Richard, baterista do Keane, menciona tour na América Latina em entrevista publicada no site oficial da banda
Are you all set for the trip out there?
Yeah, I’m looking forward to every aspect of it, other than the flying. I’ve just bought a new digital camera to help with blogging. Not that I really needed a better one, but Rob kept going on about this amazing camera, so I went and had a look at it and next thing I know I’d walked out with one in my bag. Having paid for it first, obviously!What is it?It’s a Nikon D700. It has a full-frame sensor, which means it’s like an 35mm camera, so I can use all my old lenses.
So in a way, you’ve *saved* yourself money.
That’s right! I spent a fortune to save myself loads of money. I used it for the fish eye pictures on the blog, which would’ve looked very cropped on my old camera. Whereas with this you get the whole circle.
Have you been enjoying doing your photoblogging?I have. It’s actually forced me to get up off my arse a couple of times. Like in Brighton, for example, where it was really nice to just go for a wander. I even bought some rock, with Brighton written down the middle of it.
Can we expect more of the same from Latin America?I’m certainly going to try. Obviously it requires an internet connection and some patience, but wherever I can find a connection, I will endeavour to do it. I’ll certainly be taking pictures. The only regret about the photoblogging is that I’ve been taking a lot less pictures with my film cameras. And with a dark room at home, that’s a little bit of a shame. So I’ll have to discipline myself to take both digital and film cameras out and about with me.


















