É preciso saber se divertir

O Brasil tem Hebe, Silvio Santos, Rede Globo, Flamengo, Lula, Xuxa e os Titãs. Um país sempre é provido de personalidades que se incorporam em sua identidade cultural de tal maneira que fica impossível entender um sem compreender o outro. Assim são os Titãs.
Dirigido por Branco Mello, o documentário “A vida até parece uma festa” recebeu críticas em parte por causa justamente de sua falta de contextualização para os não fãs ou simplesmente leigos em matéria de BRock. Realmente, a entropia é tanta que Arnaldo Antunes se despede da banda para, mais alguns takes, subir ao palco à frente dos colegas.
No entanto, reside na suposta falta de contexto a grande riqueza do filme. Ao mostrar cenas da banda no Rock in Rio 2, Hollywood Rock, MTV awards e até no especial de final de ano do Roberto Carlos, fica bem claro que o contexto do roteiro é a nossa própria contemporaneidade, ou pelo menos de quem acompanhou minimamente a cultura brasileira das últimas décadas.
Com uma ponta de nostalgia, percebemos que os Titãs sempre estiveram ali, em momentos como protagonistas, outros como coadjuvantes, mas, acima de tudo, sempre presentes em todos os cenários do rock brasileiro, absorvendo influências e regurgitando-as de volta com as carreiras solo de Arnaldo Antunes e Nando Reis. Nesse sentido, os Titãs são a escola.
Mas o mérito de mais um bom exemplar da safra de documentários musicais dos últimos tempos é transformar tudo numa festa, ou melhor, interpretar a trajetória de um grupo de músicos amigos como uma grande festa. Ao fim da projeção, nos sentimos tanto mais íntimos de Nando, Marcelo, Sérgio, Arnaldo, Branco, Tony, Paulo e Charles. É deles a lição de que, mais do que preciso saber viver, é preciso se divertir.


















