Big Mac à brasileira

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Enfim, assisti ao premiadíssimo “Apenas o Fim” , que chega agora às locadoras de todo país (juntamente às bancas de dvd’s piratas).

Diante da canastrice que costuma imperar no cinema brasileiro, “Apenas o fim” é um alívio de começo. Primeiro porque, diferentemente da maioria das produções nacionais, “Apenas o Fim” é voltado para o público jovem, mais especificamente o universitário, sem precisar recorrer a estereótipos e à pamonhice.  

Segundo porque o filme, apesar de amador, é de extremo bom gosto, com belas tomadas e montagem original. Apesar da cenografia não contribuir (a locação é a PUC-RJ) nada aqui é filmado ao acaso. Mérito do novato diretor Matheus Souza.

Mas o maior mérito de “Apenas o fim” é mesmo o texto. O diretor encontrou um meio de prestar uma homenagem à cultura pop, inserindo em diálogos referências a Guerra nas Estrelas, Backstreet Boys, Vovó Mafalda e Transformers, entre tantos outros elementos que provavelmente marcaram a vida de muita gente hoje na faixa dos vinte e poucos anos.

Apesar de refinado, “Apenas o fim” só peca ao recusar a brasilidade. É muito Richard Linklater para pouco Domingos de Oliveira. Impossível não reverenciar o filme  como uma versão brasileira do cult “Antes do Amanhecer”. Quem sabe no próximo trabalho do promissor Matheus esse equilíbrio se encontre.

Renato

Se hoje vivo estivesse, Renato Manfredini Junior, o Renato Russo que o rock brasileiro consagrou, completaria cinqüenta anos. Seus quase quatorze anos de ausência se fazem sentidos não só na vida de familiares, amigos e fãs, mas principalmente no cenário musical, carente de talentos similares ao do líder da Legião Urbana, que ditou o ritmo não só da geração Coca-cola, como das subseqüentes.

A Legião Urbana, bem como o Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Capital Inicial (entre outros), não teria impactado tanto a história do BROCK se não fosse pelo contexto em que nasceu. Principalmente, se não fosse pela cidade natal: Brasília. Em “Renato Russo, filho da revolução” a cidade está presente em todo livro deste jornalista do Correio Braziliense, Carlos Marcelo, que em certos momentos parece se servir da figura de Renato Russo como fio condutor do enredo da criação maior de JK. 

Ditadura, repressão, militarismo, intervencionismo americano… Elementos que corroboraram para o cenário punk de Brasília, de onde saltaram jovens irrequietos como Renato Manfredini Jr. O culto professor de inglês, totalmente ligado às novidades que vinham da Inglaterra, Renato Russo daria rosto a uma geração à margem dos principais acontecimentos culturais da época.

E para marcar os cinquenta anos de Renato Russo, uma série de lançamentos e eventos está prevista, como discos, reedição da coleção da Legião Urbana em cd e vinil, livros, uma turnê tributo com os dois membros remanescentes da Legião, e até um longa-metragem, “Somos tão jovens”. Atualmente em sistema de pré-venda, o álbum póstumo “Duetos”, organizado por Marcelo Fróes, promete encantar e polemizar. São quinze faixas de duetos com artistas como Paulo Ricardo, Herbert Vianna, Cássia Eller, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Fernanda Takai e até Dorival Caymi que podem ser classificados entre montados, realmente acontecidos e precariamente registrados.

“Bohemian Rhapsody”

Freddie Mercury é um gênio. O líder da banda Queen compôs “Bohemian Rhapsody” que já foi eleita a melhor canção pop de todos os tempos. Eu não só concordo com o título como endosso: “Bohemian Rhapsody”, com sua estrutura incomum que abre mão de refrões e abusa da variação rítmica,   consegue sintetizar o próprio significado do lado caótico da vida.

 Assim como na rapsódia boêmia, somos pobres garotos diante do bem e do mal. Nos altos e baixos, corremos o risco de fazer uma besteira, mas ainda somos dignos da piedade divina. Ou não? Seremos condenados por Belzebu ou poderemos partir, apesar do frio na espinha? A vida não tem sentido, ou o sentido não faz a menor diferença?

 Oh, Mamma Mia! Um dia, o triste piano a nos contornar a solidão. No outro, a guitarra frenética que nos acelera diante das etapas. Nos finais de semana, nos transformamos nos trágicos personagens de uma ópera, tentando encenar a nossa desgraça pessoal. Lá fora, o mundo imponente faz o coro, enaltecendo o que há de bom e ruim dentro de nós.

Freddie Mercury foi um gênio. Na verdade se chamava Farokh Bulsara e morreu cedo, aos 45 anos, de aids. Com o legado de “Bohemian Rhapsody” e outras tantas músicas, Freddie Mercury nos deu a chave para compreender e acalentar um pouco mais o grande mistério da vida. E apesar de não estar aqui, para ele, pelo menos, o show nunca acabou.    

 

Novo do She and Him

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Novo do Placebo

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Anunciado para maio o novo álbum do Placebo, “Covers”, que já havia sido lançado apenas na internet. Confira o tracklist:

01. Running Up That Hill (Kate Bush)
02. Where Is My Mind (Pixies)
03. Bigmouth Strikes Again (The Smith)
04. Johnny and Mary (Robert Palmer)
05. 20th Century Boy (T-Rex)
06. The Ballad of Melody Nelson (Gainsbourg)
07. Holocaust (Alex Chilton)
08. I Feel You (Depeche Mode)
09. Daddy Cool (Boney M.)
10. Jackie (Sinead O’Connor)

Em busca do dvd perdido do Guns N’ Roses

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Aproveitando a tempestuosa passagem do Guns N’ Roses repaginado pelo Brasil, eis que é lançada em nosso mercado essa pérola a preço de bagatela (entre 14,90 e 29,90, nas bancas infames da Americanas e similares) . Para quem se decepcionou com o novo Axl no Brasil, o show é um consolo, além de trazer boas faixas de Chinese Democracy como “Better”. Confira abaixo uma amostra da qualidade do vídeo:

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Sócios de carteirinha

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Aversos ao rótulo depreciativo de “novos Jimmy Cliff” do rock devido às constantes visitas ao Brasil, os escoceses do Franz Ferdinand com a pose cínica de sempre voltam ao país pela quarta vez para realizar a sua turnê mais longa, com quatro datas, incluindo Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.   

 

A banda já se apresentou em território brasileiro nas mais diversas formas, seja abrindo o mega-show do U2 em 2006, na premiação do Vídeo Music Brasil em 2009 ou em lugares pequenos como a boate The Week em São Paulo e o Circo Voador, no Rio de Janeiro, esse, em especial, é considerado um dos melhores shows da história do Franz Ferdinand.

 

E a ligação do Franz Ferdinand com o Brasil não se restringe ao público cativo tupiniquim. Em sua coluna sobre gastronomia no Jornal The Guardian, o vocalista e ex-chef de cozinha Alex Kapranos, que tem uma preferência por sabores exóticos, já destacou diversas especiarias da nossa culinária tropical, como o nosso sorvete de milho-verde.   

 

No início da carreira, já foram taxados de imitadores de Talking Heads e Gang of Four, mas, em menos de cinco anos e três álbuns depois comprovaram que têm sim um estilo próprio, que é uma espécie de rock and roll para levantar as pistas de dança, um ritmo já aprovado pelos fãs brasileiros, que conferem, até dia 23, os shows de divulgação do álbum “Tonight”.

Momentos…

Coldplay Rio de Janeiro 2010 (10)

 

 

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Coldplay Rio de Janeiro 2010 (17)

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Até a próxima, A-ha

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Em sua apresentação no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, no último domingo, o A-ha mostrou que já sente o peso do tempo. Não só porque os noruegueses trouxeram a chuva forte com eles. É que a banda não conseguia disfarçar o cansaço, provavelmente causado pelos pequenos intervalos entre o grande número de shows previstos em território brasileiro da turnê de despedida do grupo que, depois de 25 anos de carreira e nove álbuns na bagagem, resolveu pendurar as chuteiras.

Apesar de contar com a vantagem da casa lotada e um público de todas as idades disposto a aplaudir clássicos dos anos oitenta, o A-ha preferiu esnobar e logo de cara mandou meia dúzia de faixas dos últimos álbuns, não conhecidos de boa parte da platéia que tentava identificar um refrão aqui, outro ali dentro do set list protocolar. Quando todo mundo já pensava em se acomodar na arquibancada à espera de uma provocação do vocalista Morten Harket que, de tão tímido, beirava a apatia, o repertório finalmente engrenou com a retrospectiva cronológica dos grandes álbuns do A-ha.

A partir daí o A-ha recompensou o público belo-horizontino com um sucesso atrás do outro, empolgando os fãs mais nostálgicos ao tocar canções menos óbvias do catálogo de cerca de duzentas composições e fechando o segundo bis com a mais esperada da noite: “Take on me”, enquanto o telão relembrava o famoso logo do A-ha. No final, era impossível não esconder o sentimento de “até a próxima, A-ha”, mesmo em se tratando de um show de despedida.

Depois de um dia de descanso merecido, hoje o A-ha se apresenta em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson. Dia 18 é a vez de Recife, com ingressos esgotados no Chevrolet Hall e, finalmente, no dia 20, em Fortaleza, no Siara Hall. Depois do Brasil, a Farewell Tour do A-há ainda passa pelos Estados Unidos, Canadá e Europa. O último show da carreira do A-ha será na cidade natal Oslo, capital da Noruega, se até lá ainda sobrar fôlego para os músicos, é claro.

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