Um álbum que incomoda como pulga

Acabo de ouvir uma amostra (apenas uma amostra, graças a Deus) do novo álbum do ex-Genesis Peter Gabriel “Scratch my back”. Apesar da proposta original (você grava a minha música que eu gravo a sua), o trabalho peca pelo minimalismo irritante.

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O arranjo em todo o conjunto de músicas praticamente se restringe a servir de BG para a voz sussurrada e por vezes salivada de Peter Gabriel, que acaba de roubar o posto do barbado Sting de cantor mais chato da década. Com escolhas óbvias (como “Heroes”, que, revisitada  por Gabriel demora uma infinidade para começar) e outras nem tanto (”My body is a cage”, do Arcade Fire, devidamente assassinada), Peter Gabriel realiza um disco pretensioso e desesperador.

E foi num ato de desespero que corri para “The boy in the bubble”  do Paul Simon, originalmente cheia de percussão e ritmos africanos. Nem ela se salvou da monotonia que impera em “Scratch my back”. Tampouco Thom Yorke (logo quem), que deve ter morrido de tédio com a versão de “Street Spirit”.

Desafio qualquer ouvinte a permanecer mais do que cinco minutos  nesse “Scratch my back”. Pelo menos cinco minutos sem coçar a cabeça de raiva. Que no álbum da contrapartida, Arcade Fire, David Bowie, Radiohead e, principalmente, Paul Simon, vinguem-se da maneira mais apropriada possível.

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