Crítica: Coldplay no Rio – 28-02

As cerca de trinta mil pessoas que estiveram na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, nesse domingo, puderam comprovar: de frio, o Coldplay não tem nada. Nem a chuva fina que importunou do início ao fim foi suficiente para inibir o calor humano do Coldplay que, depois de quatro álbuns consagrados, vários prêmios e prestígio internacional, ainda faz questão de agradecer ao público que lhes permite ter o melhor emprego do mundo. Modéstia de rock star? Há quem questione. Mas que toda a banda parece se divertir em cima do palco é inegável.

Nessa turnê que leva o nome do último álbum, “Viva La Vida”, o Coldplay demonstra que resolveu seguir à risca a cartilha dos mega-shows e não faz feio ao abusar de passarelas, palcos improvisados e até corredores dentro das pistas. A movimentação era tanta que dava torcicolo tentar assistir à banda em todos os cantos do estádio. Ficou claro que o forte do espetáculo é a interação, desde a arquitetura do palco até a performance carismática do vocalista Chris Martin, que correndo, estrebuchando ou saltando, dá um show a parte.

Entre os balões gigantes de “Yellow” que explodiam no ar papelotes amarelos, a tempestade de borboletas de “Lovers in Japan” e os fogos de artifício de “Fix you”, o público não hesitou em participar de cada momento, principalmente durante “Viva La Vida”, com um coro que podia ser ouvido até nos arredores do estádio. Ponto para o mestre de cerimônia Chris Martin, que além de entusiasmar os fãs com algumas gírias em português, polemizou a rivalidade entre as platéias carioca e paulista, que andam disputando quem é a mais animada.

Mas não foi só. O público brasileiro pode ouvir em primeira mão a nova música “Spanish Rain”, também chamada “Don Quixote”, que deve se transformar numa das faixas do esperado sucessor de “Viva La Vida”, a ser lançado até o final do ano, conforme anunciado pela banda. O Coldplay volta a se apresentar amanhã, dessa vez no Morumbi em São Paulo. No dia, Chris Martin completará 33 anos e os fãs paulistanos já preparam um “parabéns a você” coletivo. Um elemento a mais para acalorar o quentíssimo show dos “coxinhas” politicamente corretos do Coldplay, que mostrou levar bem a sério o divertimento dos fãs.

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